VII PASSARINHADA OFICIAL AMOAVES/26

MESMO LOCAL, NOVAS ESPÉCIES

A partir do final do inverno e ao longo da primavera e do verão, os alagados, manguezais e restingas ganham um movimento especial. É período de reprodução para muitas espécies, quando comportamentos de corte, defesa de território e vocalizações se tornam mais frequentes. Algumas aves também exibem plumagens mais vistosas ou características associadas ao período reprodutivo, além de ficarem mais ativas e, em determinadas situações, mais fáceis de localizar na natureza.

Também é uma época propícia para encontrar espécies migratórias, especialmente entre setembro e novembro. Os alagados e ambientes costeiros capixabas recebem espécies vindas do Hemisfério Norte, como maçaricos e trinta-réis, que utilizam praias, manguezais, áreas úmidas e outros ambientes costeiros para descansar e se alimentar durante suas longas viagens migratórias.

Sabendo disso, alguns associados da AMOAVES visitaram, no dia 22 de agosto, os alagados de Piúma e também o balneário de Meaípe, em Guarapari, e se surpreenderam com a quantidade de espécies observadas, mesmo sendo locais já conhecidos.

A chuva fina que caía no início da atividade, na Rua das Castanheiras, em Piúma, às 7h, não desanimou o grupo. Pelo contrário, o frescor da manhã animou os observadores e também as aves. Tanto que, por volta das 11h30, já haviam sido observadas 95 espécies diferentes, com destaque para coleiro-do-brejo, golinho, saci, gavião-do-banhado, sanã-carijó, cochicho, rolinha-de-asa-canela, socó-boi, maguari, andorinha-de-sobre-branco, freirinha e caneleiro-preto, sendo várias delas pouco frequentes na região de abrangência da entidade e algumas sem registros conhecidos para aquele local.

Para o presidente da AMOAVES, Roberto de Oliveira Silva, que organizou a passarinhada e guiou o grupo nos dois locais, a quantidade expressiva de aves é um sinal promissor de que a temporada de observação nesses ambientes poderá ser muito frutífera até meados de março do próximo ano, principalmente quando as chuvas chegarem mais intensas, alagando boa parte da pastagem ao longo dos dois canais que margeiam a estrada.

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA SANÃ

Encerrado o primeiro trecho do dia, pausa para o almoço e, em seguida, breve viagem até o balneário de Meaípe, em Guarapari, nas proximidades da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes.

O principal atrativo do local são as margens da região paroquial, onde está localizado o Mangue de Meaípe. A vegetação local cria o cenário ideal para aves que se alimentam de crustáceos e pequenos peixes e, por estar próximo do mar, o local também funciona como ponto de pouso e sobrevoo de aves marinhas e costeiras. Assim, é possível caminhar pelo local sem a necessidade de entrar na vegetação.

E foi caminhando calmamente que a sanã-castanha apareceu para o grupo. Conhecida por ser uma das aves mais difíceis de observar, para surpresa geral ela surgiu tranquila e curiosa após o uso pontual do playback, tocado apenas três vezes. Escondeu-se e voltou a aparecer. E, em uma das vezes que se mostrou, foi tão rápido quanto um raio que risca o céu: piscou, perdeu!

Depois disso, vocalizou muito, mas não se mostrou mais.

Mas já valeu. O grupo todo estava feliz, pois conseguiu não apenas vê-la, mas também fazer registros fotográficos — quase todos.

No total, foram observadas 17 espécies, com destaque para papa-formiga-vermelho, sabiá-da-praia, piru-piru, fragata, gaivotão e a rola-turca (Streptopelia decaocto) — esta ainda classificada como espécie exótica em território brasileiro, embora já esteja estabelecendo populações reprodutivas em diferentes locais do país.

A rola-turca também é conhecida popularmente como burguesa, rola-de-coleira ou rola-de-colar. Embora tenha registros em vários estados brasileiros, o WikiAves informa que “nenhuma das espécies deste gênero ocorre naturalmente no Brasil, porém foi incluído no WikiAves devido ao grande número de registros destas aves pelo país, seja em função de soltura ou escape. Também há registros destas aves se reproduzindo no Brasil, o que pode futuramente causar o estabelecimento de populações em território nacional. A espécie mais comum encontrada é Streptopelia decaocto”, a mesma registrada pelo grupo.

Os observadores também fizeram o registro de um ninho com dois filhotes já bastante desenvolvidos, prestes a se juntar ao bando de oito indivíduos que estava no local.

UMA ATIVIDADE QUE TRAZ CONFORTO E ALEGRIA

Na opinião dos participantes, a atividade em Piúma e Meaípe foi muito gratificante e produtiva. Afinal, fazer passarinhadas em grupo representa uma das práticas mais ricas e dinâmicas do birdwatching, unindo ciência cidadã, desenvolvimento técnico e senso de comunidade.

No dia a dia urbano, poucas pessoas entendem por que alguém acordaria às 4h da manhã, sob chuva ou mosquitos, para olhar para um galho. Mas estar em um grupo como a AMOAVES é estar em um espaço de validação total. Ali, a sua obsessão por um detalhe na plumagem não é esquisita; ela é admirada. O silêncio compartilhado durante uma espreita não é desconfortável; ele é uma conexão sagrada. Essa sensação de estar entre iguais, onde você é compreendido sem precisar explicar seus motivos, pode trazer uma profunda sensação de conforto e bem-estar.

Registrar um lifer sozinho traz uma satisfação íntima maravilhosa. Mas registrar esse mesmo lifer em grupo gera uma efervescência coletiva. A comemoração pessoal, o sorriso cúmplice de quem sabe o quão difícil era aquela ave e a comemoração conjunta após o campo transformam uma conquista técnica em uma memória afetiva inesquecível. A alegria do outro alimenta a sua.

Confira algumas opiniões:

“Reencontrar os amigos foi o meu foco principal, mas de brinde veio 4 lifers que superou todas as minhas expectativas.” Ana Peres

“Bom ter estado com vocês! Parabéns pela organização, presidente! Parabéns AMOAVES!” Victor Biazutti

“Sempre muito bem organizada a passarinhada. Bom rever os colegas e também conhecer os novos integrantes.” Jorge Vaccari

“Foi mais uma passarinhada de sucesso, em espécies, organização, resenhas e amigos queridos. Eu com dois lifers para minha lista.” Neia Schumacher

“Passarinhada foi um sucesso com muitas aves e com direito a lindas fotos e agradecer a todos por mais esse dia de muitos cliques e muita animação, e ao presidente por nos guiar para que fosse esse sucesso que foi. E vamos que vamos e só alegria.” Leodério Velten

“Agradeço a todos pela fantástica experiência que tive no dia de hoje! Estou renovado! Neia, no meu caso fiz um ‘pouquinho’ mais lifers do que você.” Leandro Dias Martins

“Muito legal a passarinhada: muita resenha e novos aprendizados. Valeu pessoal.” Rogério Truglio

“Galera, foi muito top!!! Lista com mais de 90 espécies.” Luiz Claudio Effgen

Vejam registros do dia:

Da esquerda para a direita: Jorge, Rogério, Leandro, Roberto, Néia, Leodério, Gabriel, Victor, Luiz Cláudio e Ana.

Autor: Jorge Vaccari

Autora: Ana Peres

Autor: Gabiel Pelição Vaccari

Autor: Leandro Dias Martins

Autor: Leodério Velten

Autor: Luiz Claudio Effgen

Autora: Néia Schumacher Gonçalves

Autor: Rogério Truglio

Autor: Roberto de Oliveira Silva

Flagrantes da atividade

Texto: Nilda Miranda.

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