EM BUSCA DO CASACA-DE-COURO
A segunda passarinhada por São Mateus e Jaguaré, no norte do Estado, foi tão emocionante quanto a primeira, em 2025. Nesta, também foram feitos muitos registros especiais, incluindo um lifer municipal, e uma quantidade enorme de aves observadas: 116 no sábado e mais 65 no domingo.
O plano de sábado era encontrar o gavião-preto e o casaca-de-couro, duas espécies com poucos registros no Espírito Santo. O primeiro ponto de observação do gavião-preto foi infrutífero, então o grupo seguiu viagem pelas grandes planícies e alagados até o local de registro do casaca-de-couro. Mas com muitas paradas pelo caminho. Numa delas, foi possível registrar espécies como: tiê-sangue, maria-cavaleira-de-rabo-enferrujado, chorão, beija-flor-de-garganta-azul, suiriri, sabiá-do-campo e socozinho. Um pouco mais à frente estavam garrinchão-pai-avô, saí-azul, bico-chato-amarelo, mais tiê-sangue e um lifer municipal inesperado: picapauzinho-escamoso. Este não foi identificado na hora, devido à sua semelhança com o picapauzinho-barrado, mas não passou despercebido pela Neia Schumacher, autora do primeiro registro da espécie no município.
Após esses encontros, que representaram lifers pessoais para alguns do grupo – como o tiê-sangue para o Adalberto Ramaldes, o grupo seguiu para um local específico: o ponto de registro do casaca-de-couro. A espécie foi registrada pela primeira vez no Estado em outubro de 2025, pelo associado Lázaro Ribeiro, em São Mateus. E neste local, em Jaguaré, em novembro/25. A espécie é endêmica do Brasil e está presente em todos os estados da região nordeste, além do norte de Minas Gerais e agora também no norte do Espírito Santo.
E parecia combinado, pois logo que o grupo chegou ao local, a bela espécie de cor canela, olhos amarelos e dona de um expressivo topete apareceu, vocalizando alto. Não foi fácil conseguir boas fotos, pois ele se deslocava entre arbustos e árvores. Mas, no final, todos conseguiram, voando ou pousada.
A nova surpresa para o grupo estaria bem à beira da estrada que leva para Urussuquara. Encontrar um maguari era desejo de alguns, e o primeiro a ser avistado estava voando. Deu para se fazer algumas fotos, mas longe de ser “a foto”. Curiosamente, em voo, o maguari se assemelha muito ao cabeça-seca.
Algum tempo de viagem depois, uma parada para identificar algumas aves à beira da estrada. Pasmem, eis que aparece outro maguari, também voando, um pouco mais perto do que o primeiro. E, enquanto se tentava fotografar o maguari, os olhares foram atraídos para outro bando de aves no céu. Gavião-de-rabo-branco, alertou Paulo Maioli. Realmente, a bela ave que voava em círculos juntamente com alguns urubus tinha o rabo branco, mas, para surpresa, ao conferir o registro mais tarde, era o desejado gavião-preto! Sorte de quem fotografou, como esta autora.
Aqui é necessário um parêntese nessa história. A Neia não registrou o gavião-preto, não porque estivesse distraída, mas porque ela estava, naquele momento, muito ocupada em não ser ferroada por um tipo de vespa ou marimbondo. Talvez um caçador-de-aranhas (vespa também conhecida como marimbondo-cavalo ou cavalo-do-cão) ou um marimbondo-caboclo – ficou a dúvida. Assustada com a vespa que a perseguia, Neia foi se abrigar dentro do carro. E a vespa entrou no carro também. Foi um corre, os colegas tentando ajudá-la a fugir e a vespa querendo muito ficar perto dela… Até o carro tentou fugir sozinho e Roberto acudiu: Neia, puxa o freio de mão! O sufoco foi tão grande que os colegas esqueceram que havia pássaros voando naquele momento. A prioridade era afastar a vespa para longe. E o gavião-preto também se foi!
Passado o susto da vespa, segue a viagem em direção ao mar. Já nas proximidades da praia, e mesmo de dentro de seus carros, alguns conseguiram um registro incrível: um gavião-do-banhado passou voando baixo, acima da restinga, com a tranquilidade de quem conhece perfeitamente o local. Outros só tiveram a felicidade de ver o belo rapinante passar. Como eu! Mas logo à frente, o fabuloso encontro do verde quase azul do mar com o azul quase verde do céu oferece descanso para os olhos, para o corpo e para a alma. Nem a falta de aves no local tirou a alegria do grupo, que consegue se encantar com uma garça-branca-grande, uma garça-azul, um quero-quero e um trinta-réis-grande voando sobre as águas.
Pausa para o almoço. E entre uma conversa e outra, o grupo uniformizado desperta a atenção dos nativos. Um deles, após se apresentar, revela um segredo. Perto dali um morador alimenta as aves livres diariamente em seu quintal, e aparece “todo tipo de ave”. Claro que isso interessa ao grupo, e Lázaro Ribeiro prontamente ficou de retornar em outra ocasião e horário apropriado para investigar! Hora de voltar à ação.
O maguari voando é lindo, mas muito diferente dele pousado. Podendo chegar até 1,4 m de altura e com uma envergadura de mais de 2 m, o maguari não passa despercebido. E o olhar sempre atento dos passarinheiros logo avista a bela ave caçando no alagado à beira da estrada. Alvoroço para tentar boas fotos, mas ele se assusta e voa. Mas logo cruza a estrada e volta a pousar na outra margem, onde se encontram outros dois indivíduos. Cena linda de ver! Agora sim! Foto de perto, pousado, voando, de todo jeito!
A passarinhada de sábado foi encerrada às margens de uma imensa lagoa. Curiosamente, nesse dia, pouquíssimas espécies estavam no local. Mas um gavião-caramujeiro, pousado em um tronco seco e sem nenhuma pressa, esperou que todos fizessem fotos de vários ângulos e até vídeos! Ninguém resiste a fotografar um gavião, mesmo sendo um velho conhecido!
DOMINGO É DIA DE CODORNA
Já estava combinado que o retorno de São Mateus seria após o almoço, oferecido, novamente, pelo colega Lázaro Ribeiro em seu sítio. Assim como o café da manhã, que foi servido na varanda da casa, com vista para beija-flores, chupins, canários, choca-listrada, pássaros-preto, cardeal-do-nordeste, pombas-asa-branca e outros, e ao som do canto de várias espécies de aves. Não podia ser melhor!
Depois desse café quase mágico, o grupo foi fazer o que mais gosta: observar aves. A primeira parada programada seria, novamente, no local da codorna-do-nordeste, já que o associado Adalberto não havia feito registro no ano anterior. Mas ainda no início da caminhada, um belo gavião-caracoleiro cruzou o caminho, voando com tranquilidade. Tempo suficiente para registros e lifer para alguns colegas.
Caminhando um pouco mais, já era possível ouvir o canto da codorna-do-nordeste, e em pouco tempo ela apareceu brevemente entre as carreiras do cafezal em flor. E sumiu segundos depois. Em silêncio, o grupo vigiou, até que ela apareceu, desta vez ficando parada por talvez um minuto, o que parece bastante tempo para uma espécie que se assusta facilmente. Mas se escondeu de novo. Seguindo mais à frente, uma outra ave foi vista, do outro lado de uma lagoa, descendo calmamente a estrada. Mas também saiu do campo de visão. Talvez não seja hoje…
Entretidos com outras espécies presentes no local, apenas o Lázaro reparou quando a pequena ave apontou na estrada em que o grupo estava, para surpresa de todos. E, buscando o melhor ângulo sem fazer muito movimento, alguns se sentaram no chão e outros nem se moveram do local em que estavam, e começaram a fotografar a pequena codorna-do-nordeste. E ela continuou seu passeio matinal, tranquilamente, seguindo despretensiosamente na direção do grupo que mal respirava. Só se ouvia cliques! E ela continuou se aproximando, caçando e vocalizando por cerca de 20 metros, até chegar tão perto que quase podia ser tocada, e finalmente percebeu que estava sendo observada. Calmamente saiu da estrada e sumiu na vegetação. Ufa, respira! Risos! Festa! Comemoração! Hoje sim! Nunca uma codorna-do-nordeste chegou tão perto! Ninguém pode reclamar que não fez foto quase à queima-roupa! Quanta emoção! Que memória linda para ser guardada!
Depois desse momento fantástico, ainda foram encontradas outras espécies em árvores, em arbustos, em flores ou voando. Mas era chegada a hora de voltar e aproveitar o delicioso almoço preparado pela família do Lázaro — a esposa Neti e a filha Maria Luíza.
São Mateus e Jaguaré entregaram muitas memórias afetivas, além dos registros de aves. Destaque para o picapauzinho-escamoso (lifer municipal), gavião-preto, casaca-de-couro, guaracavuçu, maguari, gavião-caracoleiro e gavião-do-banhado.













Autor: Leodério Velten
















Autora: Neia Schumacher Gonçalves













Autora: Nilda Miranda








Autor: Paulo Roberto Maioli
















Autor: Rafael Gonçalves Silva







Autor: Rosfutsal


















Autor: Adalberto Ramaldes







Participaram da passarinhada os associados:
Adalberto Ramaldes
Lázaro Ribeiro
Leodério Velten
Neia Schumacher Gonçalves
Nilda Miranda
Paulo Maioli
Rafael Gonçalves
Roberto de Oliveira Silva
Participaram ainda da expedição, as esposas e filhas do Adalberto, Paulo Maioli e Lázaro, perfazendo um total de 14 pessoas.
Texto:
Nilda Miranda
😂 Essa passarinhada vai ficar para a história! Entre um susto daqueles e o desespero com uma abelha que resolveu implicar justamente comigo, acabei perdendo o meu tão sonhado lifer! Acho que ela também queria observar aves e não gostou da concorrência! 🐝🤣
Mas, no fim das contas, o saldo foi maravilhoso e positivo, não fui picada kkkkk.
Essa passarinhada teve um gosto muito especial porque pude viver esse momento ao lado do meu filho, que está de férias, além de estar com amigos queridos apaixonados pela natureza. Foram horas de alegria, boas risadas e muitas lembranças que vou guardar com carinho.
Agradeço a família do Lázaro pela recepção impecável. Como sempre, fomos recebidos com muito carinho, acolhimento e generosidade. Vocês são especiais!
Que venham as próximas… e, se possível, com menos abelhas e mais lifers! 😂🐦💚