EM BUSCA DO CHORORÓ-CINZENTO
A lua ainda estava no céu e a noite estava escura. A maioria dos pássaros dormia. Mas para um grupo de observadores de aves, esta era a hora perfeita para se levantar e colocar os pés na estrada, em uma viagem de cerca de duas horas e meia, de Domingos Martins até Muniz Freire, na região do Caparaó capixaba. A expectativa: encontrar o chororó-cinzento, uma choca de tamanho médio e cauda longa que habita o denso sub-bosque de florestas úmidas da Mata Atlântica. São encontrados geralmente em casais – os machos são cinza e as fêmeas são marrom-avermelhadas e ambos os sexos possuem pintas brancas nas asas e na ponta da cauda.
Durante a viagem, a neblina cobria praticamente toda a paisagem, despertando um sentimento de calmaria e languidez. À medida que foi amanhecendo, o sol cuidou de dissipar a neblina e os pássaros se moviam alegremente pelas margens da estrada.
O encontro foi na Praça Divino Espírito Santo, onde Marcelo Favoreto se juntou ao grupo para guiar aos locais das possíveis espécies mais desejadas. Marcelo é violeiro, compositor, produtor cultural e geólogo capixaba. Ele é reconhecido como o fundador do grupo Viola Dourada e idealizador do Festival Nacional de Viola de Muniz Freire, além de entusiasta na observação de aves.
Com essas credenciais, Marcelo guiou o grupo para o primeiro encontro: chororó-cinzento. Lá estavam eles, escondidos, mas vocalizando muito. E não demorou para o primeiro casal ser localizado bem próximo, mas embrenhado na vegetação. Tarefa árdua conseguir um registro, e mesmo assim nenhuma foto no limpo. Mas valeu a pena ver, ouvir, gravar áudio e ainda fotografar, mesmo que imperfeito. Contudo, no mesmo local, várias outras espécies foram observadas, como tietinga, bico-chato-de-orelha-preta, rabo-branco-acanelado, tiê-preto, pitiguari, beija-flor-tesoura, pica-pau-de-testa-pintada, viuvinha e outros.
Após o almoço, o destino foi o Morro da Torre (ou Pico da Embratel, como é conhecido), um dos pontos de observação mais altos e mais privilegiados de Muniz Freire, com pouco mais de 1.000 metros. Do topo, tem-se uma vista panorâmica deslumbrante e impressionante da cidade, do Morro do Cruzeiro e das montanhas do entorno
NO CAMINHO, UM LIFER MUNICIPAL
Passarinheiro está sempre de olhos e ouvidos atentos, mesmo dentro do carro. E assim, enquanto seguiam para o Morro da Torre, anotavam as aves avistadas, como uma garça-vaqueira e uma garça-branca-grande, na beira da estrada. Neste momento, o guia Marcelo comentou: ainda não tem registro aqui da garça-branca-pequena. E Nilda, atenta à conversa e à paisagem, fala despreocupadamente: tem uma bem ali, à direita, naquele riozinho. Opa, então é lifer municipal, vamos parar! Carro freando, levantando poeira, passarinheiros de câmera em punho e a garça voou e se escondeu. Procura daqui e dali, e vejam, estou vendo o pescoço dela! Pescoço também vale, faz fotos! Pronto, registro de pescoço feito! Mas, na volta, ela ainda estava no mesmo local e permitiu uma boa. Ufa!
MORRO DA TORRE, UMA EXPERIÊNCIA DIVERTIDA
Chegando ao alto do morro, em meio à mata, silêncio, nenhuma ave vocalizando durante vários minutos. Também em silêncio, o grupo buscava entre as árvores algum movimento, até que apareceu: surucuá-variado, um casal. Depois dele, gradativamente foram chegando diferentes espécies, como arapaçu-de-bico-torto, pichororé, maria-cavaleira, saíra-douradinha, gritador, pitiguari, alma-de-gato e outras mais, todas vocalizando muito. Uma festa para ouvidos e para as câmeras!
Com tantos pássaros voando de um lado para outro, as horas também parecem voar. A longa descida exigia cuidado e paciência, e foi tranquila. Pausa para registrar, agora inteira, a garça-branca-pequena e também um gavião-caboclo pousado em um toco. Seguindo viagem, mais à frente, um lindo pica-pau-de-banda-branca aproveitava o sol, pousado no tronco de um coqueiro. E perto dali lavadeira-mascarada e sabiá-do-campo também revelavam suas cores sob a luz da tarde, se deixando fotografar para completar a lista do dia: 66 espécies observadas, com destaque também para o ninho do andorinhão-estofador, uma raridade.
Mais um evento organizado e realizado com maestria.
Texto: Nilda Miranda
DEPOIMENTOS
“Final de tarde, a passarinhada resolveu se mostrar, em agito constante, na estrada da Torre da Embratel! Grato a todos pela participação e colaboração na atividade. Muito grato ao Marcelo, que emprestou seu conhecimento da região para nos ajudar nos registros.” Roberto de Oliveira Silva
“Quero agradecer a companhia de todos e, em especial, ao Roberto, pela organização do evento, e ao Marcelo, pela disponibilidade na atividade de guia. Como sempre, foi uma passarinhada muito prazerosa e divertida.” Wilson Oliveira
“Agradeço ao Marcelo pela disponibilidade de estar conosco o dia todo, nos apresentando as belas espécies da sua região. Será um prazer recebê-lo aqui em Domingos Martins. Obrigada a todos por mais um dia juntos, foi muito agradável. Natureza + aves = dia feliz.” Neia Schumacher Gonçalves
“Essa atividade só proporciona prazer, e estar na companhia desse grupo é uma grande satisfação e uma alegria. Além das aves, poder contemplar florestas, árvores, flores e frutos, insetos, as paisagens que nos fazem lembrar que somos uma parte de tudo isso… Quando ouvimos os sons de uma espécie pela primeira vez, é algo tão gratificante que compensa a viagem. Não importa se chove, se o sol está quente demais, o importante é estar junto, fazendo algo prazeroso e divertido.” Nilda Miranda
“Mais uma passarinhada com sucesso. Quero agradecer ao presidente Roberto e ao amigo Marcelo pela ajuda em nos guiar, e aos colegas. Para mim, é uma alegria estar com vocês.” LeodérioVelten
“É sempre muito bom estar com vocês. Obrigado ao nosso presidente, aos demais que o auxiliaram, e ao Marcelo. Nos vemos na próxima!” Jorge Vaccari Filho
“Obrigada a todos pelo apoio. Vocês são maravilhosos! Vocês não imaginam o bem que essa passarinhada me fez! Que Deus possa retribuir em dobro o carinho e a atenção que tive de vocês!” Maria Tereza
“Passarinhada com sabor de Encontro de Amigos que, mesmo que não se tenha muitos cliques da minha parte, o contato é de muita interatividade. Ressalto o esmero e efetividade do presidente Roberto na organização e comando das passarinhadas. Às vezes em que ele pede silêncio, nós temos que estar atentos, pois o motivo é a ave e não as manifestações de regozijo e interação entre amigos.” Adalberto Ramaldes
Alguns registros do dia:








Autor: Leodério Velten










Autora: Néia Schumacher Gonçalves








Autora: Nilda MIranda









Autora: Maria Tereza Nandolfo Machado







Autor: Wilson Oliveira
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