Finalmente chegou o dia! Vestir a camisa da AMOAVES-ES, pegar câmera, baterias carregadas e outros acessórios, e partir para o mato. Todos estavam com saudade e eufóricos, como se fosse a primeira passarinhada da vida. Mas é só a primeira de 2026 e o destino escolhido foi a cidade de Conceição do Castelo, onde uma espécie rara foi colocada no topo da lista das possíveis de serem encontradas: João-botina-do-brejo.
O joão-botina-do-brejo mede 17 centímetros, tem olhos castanhos-escuros avermelhados, cor ferrugínea no ventre e na coroa e retrizes escuras, além de uma cauda longa que fica quase sempre em semileque. A expectativa estava altíssima, pois seria lifer para todos do grupo.
Após percorrer quilômetros de asfalto, de Domingos Martins até Conceição do Castelo, e mais alguns quilômetros em estrada de chão, o grupo de observadores chegou ao destino, no meio da mata. Uma ansiedade natural tomou conta de todos, afinal, é uma espécie rara, cuja história da descoberta naquele local o guia Filipe Ventura compartilhou com o grupo.
Na primeira tentativa de chamar o “joão” ele não respondeu nem apareceu, e Filipe preferiu tentar em outros pontos próximos, pois é preciso ter o cuidado para não estressar a ave, ou ela pode ir embora daquele local – e talvez para sempre.
Anda pra lá, volta pra cá, fotografa uma ave aqui e outra ali, e opa, a ave foi ouvida e todos se prepararam com câmeras em punho. E ele cantou! Ele cantou! Com aproximação cautelosa para não assustar a ave, o grupo se dirigiu até o local e ele se moveu na brenha e, com muita sorte, foi possível vê-lo e também fazer registros fotográficos (razoáveis) e sonoros. Uma luta! E também uma vitória! A primeira do dia. E ainda teve registros de tico-tico-do-mato, vite-vite-de-olho-cinza, piolhinho e outras espécies mais comuns.
Hora de descansar, fazer um lanche e comemorar os registros. Uma bela borboleta 88 se juntou ao grupo e ali permaneceu, pousando inclusive em alguns associados, ficando tão à vontade, tornando-se a atração daquela manhã, junto do joão-botina-do-brejo, claro! A espécie é comum em áreas preservadas da Mata Atlântica e Cerrado, e muitas vezes associada à sorte. A marcação de “88” nas asas serve como uma estratégia de mimetismo para confundir predadores, simulando olhos ou padrões ameaçadores.
LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE
Animados com o sucesso do período da manhã, o grupo votou em tentar a sorte no Parque Estadual de Forno Grande, em Castelo, município vizinho. E assim, logo após o almoço, partiram para a segunda parte da aventura. O destino foi uma grande lagoa, onde o joão-botina-do-brejo também vive e costuma ficar muito mais visível e acessível.
Destemidos e animados com a nova oportunidade, os aventureiros se embrenharam num pasto ao lado da lagoa em busca do melhor local para observação do “joão”. O pasto lameado e com capim alto não assustou ninguém. E agora, com todos posicionados, era questão de tempo para ele aparecer.
Mas o tempo passou e o “joão” não apareceu. Ao invés disso, o grupo fotografou sabiá-do-banhado, pia-cobra, tico-tico-do-campo, bico-de-veludo, mergulhão-caçador, marreca-ananaí, curutiê e outras espécies. E perto dali, alguns conseguiram registrar quiriquiri, saracura-do-mato e até um tauató-miúdo.
O tempo havia mudado: de sol com muito calor pela manhã a ameaça de chuvas fortes no fim do dia. E com o “bornal cheio”, já era hora de retornar e contabilizar os achados. No total, foram observadas 72 espécies diferentes, com destaque para o joão-botina-do-brejo, espécie-alvo da primeira passarinhada oficial do ano.
MUITO MAIS DO QUE PÁSSAROS
Os observadores de aves desenvolvem um olhar atento à natureza. Nada lhes escapa: uma ave voando, uma árvore frondosa, as flores de cada estação, um animal ou suas pegadas, as casas à beira das estradas, as pessoas de cada lugar, os rios, as cachoeiras, as plantações e, claro, os cantos das aves. Torna-se uma habilidade, quase um superpoder de fazer várias coisas ao mesmo tempo: ver, ouvir, ter atenção aos riscos do ambiente e manter uma energia positiva admirável.
E com essa energia conseguem contagiar o ambiente com alegria e otimismo, agindo como um bálsamo que alivia tensões. Pessoas com essa energia são capazes de inspirar, motivar e levar leveza aos lugares que frequentam, transformando o peso da rotina em força e superação. “Passarinhar” é um prazer e um privilégio. Todos prontos para a próxima passarinhada.
Vejam alguns momentos do dia:

























Autora: Leidemara Busato Ewald









Autora: Néia Schumacher Gonçalves






Autora: Ângela Maria Busato Krohling







Autora: Nilda Miranda





Autor: Leodério Velten










Fotos: Rafael Gonçalves Silva






Autor: Guilherme Busato Ewald









Autora: Dilcéia Velten

Autor: Wilson Oliveira
Início de ano com pé direito – objetivo principal alcançado! Parabéns a todos os associados!