II PASSARINHADA OFICIAL DA AMOAVES – EM BUSCA DA BORRALHARA-ASSOBIADORA

II PASSARINHADA OFICIAL DA AMOAVES – EM BUSCA DA BORRALHARA-ASSOBIADORA

O Acampamento da Macieira, no Parque Nacional do Caparaó pelo lado do Espírito Santo, está situado a uma altitude de mais de 1.800 metros. O local foi o ponto inicial do grupo da AMOAVES para a II Passarinhada Oficial/26, nos dias 28 e 29 de março. Nessa altitude, é comum que a respiração se torne mais rápida e profunda, numa tentativa natural do corpo de captar mais oxigênio. Mas, pouco a pouco, o organismo se adapta e o caminhar passa a ser um prazer.

Andar pela mata a 1.800 metros de altitude é uma experiência que mistura esforço e encantamento. Sempre fazendo pausas, o grupo segue atento, com olhos e ouvidos sempre alerta a qualquer canto que revele a presença de aves raras – algumas delas exigem longos minutos de espera, escondidas na vegetação, até se deixarem ver e fotografar. O cansaço aparece, mas é superado pelo foco e pela expectativa de novos registros, celebrados entre os amigos a cada conquista. E ainda ter tempo para lembrar da água, almoçar sentados no capim e respirar fundo o ar rarefeito, transformando cada momento da jornada em parte essencial da experiência.

ACERTANDO O ALVO: BORRALHARA-ASSOBIADORA

As passarinhadas da AMOAVES geralmente têm uma ave-alvo, aquela que o grupo deseja encontrar mais do que as outras existentes em determinada região. E nesta passarinhada o alvo foi a borralhara-assobiadora, espécie restrita às regiões Sul e Sudeste do Brasil, e também encontrada no Paraguai, Uruguai e Argentina, nas áreas que fazem fronteira com o Brasil. O Parque Nacional do Caparaó foi o destino escolhido, por já haver registros no local.

A bela e rara espécie tem a plumagem negra, salpicada de branco, sendo o ventre escuro e a cauda mais acinzentada. A fêmea, que não foi avistada, tem a cabeça parda, cor que se espalha pelas pintas do corpo. Embora seja difícil de avistar, a borralhara-assobiadora tem vocalização marcante e alta, facilitando a identificação pela audição em bordas de florestas, onde prefere ficar. E foi assim que ela foi localizada.

Logo na subida do Parque, a leve chuva que começou a cair não chegou a preocupar, mas com a estrada molhada, o grupo se dirigiu diretamente até o Acampamento das Macieiras e retornou caminhando até o ponto de avistamento da ave, considerada tímida para as lentes ávidas por fotos.

O sol, que já havia superado a chuva fina, fez a borralhara-assobiadora cantar e aparecer entre galhos e folhas. Buscando o melhor ângulo para registrar aquele momento único, o grupo se mobilizou como pode, com alguns sentados no chão, outros de pé, procurando manter o silêncio antes que ela se escondesse. E pousada num pequeno galho e emoldurada por vários outros, era quase uma questão de sorte conseguir fazer uma foto razoável. E rapidamente ela sumiu entre a vegetação para retornar, pouco depois, provocando novo alvoroço.

Não há como não se emocionar com um encontro desses. Primeiro, porque se trata de uma espécie rara. Segundo porque é um privilégio poder ver, livre na natureza, uma criatura tão bela e tão perto de você. Missão cumprida com sucesso!

ENCONTROS… E DESENCONTROS

Depois desse momento especial, hora de seguir em frente, para talvez encontrar outras espécies desejadas, como a choquinha-da-serra, tapaculo-preto e choquinha-de-dorso-vermelho.

Enquanto caminhavam, era possível ouvir a choquinha-da-serra e o tapaculo-preto em diferentes pontos da mata, mas sem vê-los. Já se aproximava a hora do almoço e uma pausa se fazia necessária. De volta ao acampamento, alguns observadores ficaram para trás, alertados pelo canto da choquinha-da-serra. Não uma, mas duas ou três cantavam, até serem avistadas se movendo entre a vegetação, exigindo muita destreza dos observadores para registrá-las. Mas foi tempo suficiente para alguns lifers e muita comemoração. No dia seguinte, em outro local, elas apareceram novamente, permitindo que todo o grupo fizesse bons registros.

Já o tapaculo-preto, esse cantou muito e em vários pontos, mas não se permitiu fotografar, exceto pela Leidemara, quando pousou completamente no limpo, com sua plumagem brilhando ao sol, por breves segundos. E a choquinha-de-dorso-vermelho não compareceu ao encontro.

MUITO PRAZER: JOÃO-BOBO

Imagina um observador de aves que tem quase 1000 espécies registradas, mas ainda não encontrou o joão-bobo. Nunca! Esse observador é (era) o Ademir Carletti.

A data está marcada para sempre: domingo, 29 de março de 2026. Local: Pedra Menina, em Dores do Rio Preto. Horário: 6h40 da manhã. Enquanto se dirigia ao Parque Estadual do Caparaó, o grupo foi atraído pela presença de um gibão-de-couro e pelo canto de algumas aves em um local já conhecido de um dos guias (Roberto), que já havia registrado o joão-bobo e sanhaço-de-fogo há alguns anos. E, na expectativa de encontrar o joão-bobo novamente, decidiu fazer uma parada e tocar o canto dele.

Numa grande árvore foram identificados vários saís-andorinha, periquitão e outras espécies conhecidas. O canto do joão-bobo no playback se misturava com o de outras aves que não paravam de chegar. E perto dali, as seriemas, que antes cantavam alegremente, se calaram. Mas outro canto se destacou e Leidemara, sempre atenta, ouviu e avisou: é o joão-bobo! Ademir, é o joão-bobo!

Quase em coro, todos falavam: gente, o joão-bobo! Ele está aqui! E lá estavam eles, dois indivíduos pousados e cantando! Se tivesse que comparar a felicidade de todos do grupo naquele momento, especialmente pelo lifer do Ademir, seria como ganhar na loteria. Uma emoção inesperada, a realização de um sonho antigo, o ponto final e feliz de uma longa espera.

É claro que todos fizeram fotos, mas queriam “dar a vez” para o Ademir, deixar que ele fizesse o melhor registro dentre todos! E, como se os pequenos “rapazinhos-dos-velhos” entendessem o que estava acontecendo, eles se moveram para diferentes locais, como alto de poste, fio de energia, uma árvore, ficando por longo tempo pousados (uma característica da espécie), permitindo uma variedade de fotos lindas.

Mas ainda não tinha terminado, pois novas espécies chegaram, como trinca-ferro, saíras e um bando de sanhaço-de-fogo, pousando nas árvores próximas para se alimentar. Impossível não fotografar!

 A emoção do lifer estava estampada nos olhos e no sorriso do Ademir, que compartilha sua experiência.

“Mas que bela expedição! Turma boa, belas paisagens e muitas aves especiais da região do Caparaó. Ingredientes que fizeram ser tudo de bom. Para coroar nossa aventura, ainda teve, para mim, fotos estupendas de uma ave que eu buscava registrar fazia tempo: o João-bobo. Graças ao conhecimento do nosso guia Roberto, os olhos e ouvidos atentos da Leidemara e a torcida da turma inteira, eu finalmente consegui. Aí foi só um abraço com muita emoção. Com essa turma, vou até na Patagônia!”, afirma. 

 O TUCANUÇU E A DANÇA DO JOÃO-POBRE

Na observação de aves, uma coisa leva à outra. Leidemara queria muito encontrar o tucanuçu. Leodério queria a curicaca. E Wilson queria o João-pobre. E assim, com olhos atentos às margens da estrada durante o retorno para suas casas, o pequeno grupo seguiu para o ponto onde era possível encontrar o joão-pobre, no Patrimônio da Penha, ainda em Dores do Rio Preto. E lá estava ele, no mesmo local onde foi fotografado no ano anterior, pousado sobre galhos à flor da água do riacho. Rápido e fácil, primeiro desejo realizado, lifer do Wilson! E entre um clique e outro do joão-pobre, o grupo também fotografou suiriri-pequeno, curutiê, besourinho-de-bico-vermelho, casaca-de-couro-da-lama e um casal de falcão-de-coleira.

Um morador local, intrigado com aqueles visitantes, foi perguntar o que acontecia ali. Estamos fotografando um passarinho, o joão-pobre! Ah, o tiziu-do-rio! Ele vive aí. Tiziu-da-beira-rio, respondeu ele. É curioso como as aves recebem apelidos pelo seu comportamento. O joão-pobre se alimenta exclusivamente de insetos que captura, fazendo pequenos voos sobre a superfície da água e retornando ao poleiro, semelhante ao tiziu.

Seguindo a viagem e sempre atentos, o grupo parou para alguns registros na beira da estrada, como tesoura-do-brejo, maria-preta-de-penacho, martim-pescador-verde, pintassilgo e cochicho. Mas toda a atenção estava para a curicaca e o tucanuçu. E desta vez foram os olhos atentos de Leodério que o avistaram, em um voo baixo, cruzando a estrada bem na frente do carro e pousando em um abacateiro. Era a vez de Leidemara realizar o sonho de ver de perto o maior dos tucanos, uma das aves mais belas do Brasil e, juntamente com as araras e papagaios, um dos símbolos mais marcantes das aves do continente sul-americano – o tucanuçu.

Rapidamente, o grupo fez fotos e em seguida ele voou. Mas ele não estava sozinho: próximo dali outro indivíduo, pousado em uma árvore, permitiu algumas fotos, de longe. Incansável, Leidemara decidiu correr por cerca de 200 metros até o local onde o primeiro tucanuçu havia pousado. E conseguiu chegar a tempo de fazer novas fotos, até que ambos voaram para outra árvore mais longe. Observando de longe a cena, Wilson resolveu resgatá-la de carro. E a sorte realmente estava do lado dos observadores de aves.

Resgatada e feliz com seu lifer, e já dentro do carro, Leidemara falava sem parar da beleza do tucanuçu. E enquanto Wilson manobrava o carro, ela avistou um pequeno pássaro pousado em um arame sobre um pequeno riacho: acho que vi um joão-pobre ali! Para o carro, todos descem, e sim, tinha dois indivíduos.

De acordo com o Wikiaves, o joão-pobre “raramente se alimenta em pedras ou se aventura em solo seco”. Mas, contrariando a escrita, ele não apenas se aventurou, fez voos rasantes, pousou na cerca de arame, quase pousou no teto do carro, voou entre os observadores, cantou muito e fez todo tipo de pose para as câmeras. Uma cena nunca vista pelos observadores, um comportamento especial para deixar ainda mais feliz aquele que pouco antes tinha acabado de fazer um lifer: Wilson. Por mais de meia hora, o grupo fez fotos, e no final da dança, não era apenas um casal, mas três indivíduos bailando de um lado para o outro, entre o pequeno riacho, a estrada de chão e as cercas que limitavam os campos. E ali ao lado, a polícia-inglesa-do-sul e uma seriema se divertiam despreocupadamente.

Já quase anoitecendo e sem encontrar a curicaca, era hora de seguir viagem. Feliz!

ESPÉCIES REGISTRADAS

Nesta passarinhada foram registradas 102 espécies diferentes. Dentre elas, os lifers mais representativos para a maioria foram: borralhara-assobiadora, beija-flor-de-topete-verde, choquinha-da-serra e tapaculo-preto. Confira a lista completa (colocar link)

https://amoaves.com.br/wp-content/uploads/2026/04/LISTA-DE-AVES-II-PASSARINHADA-26.pdf

Vejam alguns registros dos dois dias:

Flagrantes do grupo em ação.

Fotos: Ademir Carletti.

Fotos: Gabriel Pelição Vaccari.

Fotos: José Borges

Fotos: Leidemara Busato Ewald

Fotos: Leodério Velten

Fotos: Néia Schumacher Gonçalves

Fotos: Nilda Miranda

Fotos: Paulo Roberto Maioli

Fotos: Rosfutsal

Fotos: Wilson Oliveira

Fotos: Jorge Vaccari

Participaram os associados:

Roberto de Oliveira Silva

Neia Schumacher Gonçalves

Ademir Carletti

Jacilda Carletti (convidada – esposa do Ademir)

Leoderio Velten

Wilson Oliveira

Nilda Miranda

Paulo Roberto Maioli

José Borges

Jorge Vaccari Filho

Gabriel Vaccari (11 anos – filho do Jorge)

Leidemara Busato Ewald

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